segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A história do Lápis



Sheila Souza: DR: José Carlos de Lucca

O menino olhava a avó escrevendo uma carta. A certa altura, perguntou:
A vovó está escrevendo uma história que aconteceu conosco? E por acaso, é uma história sobre mim?
A avó parou a carta, sorriu, e comentou com o neto:
- Estou escrevendo sobre você, é verdade.
Entretanto, mais importante do que as palavras, é o lápis que estou usando. Gostaria que você fosse como ele, quando crescesse.
O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.
- Mas ele é igual a todos os lápis que vi em minha vida!
- Tudo depende do modo como você olha as coisas. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir mantê-las, será sempre uma pessoa em paz com o mundo.
"PRIMEIRA QUALIDADE: você pode fazer grandes coisas, mas não deve esquecer nunca que existe uma Mão que guia seus passos. Esta Mão nós chamamos de DEUS, e Ele deve sempre conduzi-lo em direção à Sua vontade".
"SEGUNDA QUALIDADE: de vez em quando eu preciso parar o que estou escrevendo, e usar o apontador. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas no final, ele está mais afiado. Portanto, saiba suportar algumas dores, porque elas o farão ser uma pessoa melhor."
"TERCEIRA QUALIDADE: o lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que estava errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos manter no caminho da justiça".
"QUARTA QUALIDADE: o que realmente importa no lápis não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você."
Finalmente, a "QUINTA QUALIDADE: ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida irá deixar traços, e procure ser consciente de cada ação".

Autor desconhecido.
Repassando.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A comunidade dos espíritos puros

Na ótica espírita
Rezam as tradições do mundo espiritual que na direção de todos os fenômenos, do nosso sistema, existe uma Comunidade de Espíritos Puros e Eleitos pelo Senhor Supremo do Universo, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as coletividades planetárias.
Essa Comunidade de seres angélicos e perfeitos, da qual é Jesus um dos membros divinos, ao que nos foi dado saber, apenas já se reuniu, nas proximidades da Terra, para a solução de problemas decisivos da organização e da direção do nosso planeta, por duas vezes no curso dos milênios conhecidos.
A primeira verificou-se quando o orbe terrestre se desprendia da nebulosa solar, a fim de que se lançassem, no Tempo e no Espaço, as balizas do nosso sistema cosmogônico e os pródromos da vida na matéria em ignição, do planeta, e a segunda, quando se decidia a vinda do Senhor à face da Terra, trazendo à família humana a lição imortal do seu Evangelho de amor e redenção. Não é nosso propósito trazer à consideração dos estudiosos uma nova teoria da formação do mundo. A Ciência de todos os séculos está cheia de apóstolos e missionários. Todos eles foram inspirados ao seu tempo, refletindo a claridade das Alturas, que as experiências do Infinito lhes imprimiram na memória espiritual, e exteriorizando os defeitos e concepções da época em que viveram na feição humana de sua personalidade.
Na sua condição de operários do progresso universal, foram portadores de revelações gradativas, no domínio dos conhecimentos superiores da Humanidade. Inspirados de Deus nos penosos esforços da verdadeira civilização, as suas idéias e trabalhos merecem o respeito de todas as gerações da Terra, ainda que as novas expressões evolutivas do plano cultural das sociedades mundanas tenham sido obrigadas a proscrever as suas teorias e antigas fórmulas.
Lembrando-nos, porém, mais detidamente, de quantos souberam receber a intuição da realidade nas perquirições do Infinito, busquemos recordar o globo terráqueo nos seus primeiros dias.

Que força sobre-humana pôde manter o equilíbrio da nebulosa terrestre, destacada do núcleo central do sistema, conferindo-lhe um conjunto de leis matemáticas, dentro das quais se iam manifestar todos os fenômenos inteligentes e harmônicos de sua vida, por milênios de milênios? Distando do Sol cerca de 149.600.000 quilômetros e deslocando se no espaço com a velocidade diária de 2.500.000 quilômetros, em torno do grande astro do dia, imaginemos a sua composição nos primeiros tempos de existência, como planeta.
Laboratório de matérias ignescentes, o conflito das forças telúricas e das energias físico-químicas opera as grandiosas construções do teatro da vida, no imenso cadinho onde a temperatura se eleva, por vezes, a 2.000 graus de calor, como se a matéria colocada num forno, incandescente, estivesse sendo submetidos aos mais diversos ensaios, para examinar-se a sua qualidade e possibilidades na edificação da nova escola dos seres. As descargas elétricas, em proporções jamais vistas da Humanidade, despertam estranhas comoções no grande organismo planetário, cuja formação se processa nas oficinas do Infinito. 
 Livro A Caminho da Luz
Ditada pelo espírito: Emmanuel Médium: Francisco Cândido Xavier (De 17 de agosto a 21 de setembro de 1938)
FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA
DEPARTAMENTO EDITORIAL
Rua Souza Valente, 17
20941-040

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Sobre Deus

Nossos deuses são nossos desejos projetados até os confins do universo. Há tantos deuses quanto rostos



TRÊS HOMENS olham para o horizonte. O sol se anuncia colorindo de abóbora e sangue umas poucas nuvens escuras. Um deles diz: "Vejo, no meio das nuvens vermelhas, uma casa. Na janela, um vulto acena para mim." O segundo homem diz: "Vejo, no meio das nuvens vermelhas, uma casa. Mas não há nenhum vulto acenando para mim. A casa está vazia, é desabitada." O terceiro homem diz: "Não vejo vulto, não vejo casa. Vejo as nuvens abóbora e sangue... E como são belas! Sua beleza me enche de alegria!"
Essa é uma parábola metafísica. O primeiro homem vê, no meio das nuvens, um vulto, quem sabe o senhor do universo. Se eu gritar, ele me ouvirá. Para isso há as orações: gritos que pronunciam o Nome Sagrado, à espera de uma resposta. O segundo vê a casa, mas a casa está casa vazia, não tem morador. É inútil gritar, porque não haverá resposta. É o ateu... E como dói viver num universo que não ouve os gritos dos homens... O terceiro, que não vê nem casa e nem vulto, vê apenas a beleza -que nome lhe dar? Acho que o nome seria "poeta".
A beleza é o Deus dos poetas. Quem disse isso foi a poeta Helena Kolody: "Rezam meus olhos quando contemplo a beleza. A beleza é a sombra de Deus no mundo."
Borges relata que, segundo o panteísta irlandês Scotus Erigena, a Sagrada Escritura contém uma infinidade de sentidos. Por isso, ele a comparou à plumagem irisada de um pavão. Séculos depois, um cabalista espanhol disse que Deus fez a Escritura para cada um dos homens de Israel. Daí por que, de acordo com ele, existem tantas Bíblias quantos leitores da Bíblia. Cada leitor vê na Bíblia a imagem do seu próprio rosto.
O teólogo Ludwig Feuerbach disse a mesma coisa de forma poética: "Se as plantas tivessem olhos, gosto e capacidade de julgar, cada planta diria que a sua flor é a mais bonita." Os deuses das flores são flores. Os deuses das lagartas são lagartas. Os deuses dos cordeiros são cordeiros. Os deuses dos lobos são lobos. Nossos deuses são nossos desejos projetados até os confins do universo. Dize-me como é o teu Deus e eu te direi quem és...
Mosaicos são obras de arte. São feitos com cacos. Os cacos, em si, não têm beleza alguma. Mas, se um artista os juntar segundo uma visão de beleza, eles se transformam numa obra de arte. As Escrituras Sagradas são um livro cheio de cacos. Nelas se encontram poemas, histórias, mitos, pitadas de sabedoria, relatos de acontecimentos portentosos, textos eróticos, matanças, parábolas... Ao ler as Escrituras, comportamo-nos como um artista que seleciona cacos para construir um mosaico. Cada religião é um mosaico, um jeito de ajuntar os cacos.
Como no caso do labirinto literário de Borges cujos cacos eram peças de um quebra-cabeças que, juntos, formavam o seu rosto, também o mosaico que formamos com os cacos dos textos sagrados tem a forma do nosso rosto. Há tantos deuses quanto rostos há. Assim, quando alguém pronuncia o nome "Deus" há de se perguntar: "Qual?" 

                                                 RUBEM ALVES

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O Medo da Morte

Na ótica Espírita
O medo da morte, o despreparo, o desconhecimento do processo, pelos enfermos ou familiares, leva muitas vezes a sofrimentos profundos, conflitos íntimos, desejo de reter na vida física um corpo que já não tem recursos energéticos para tanto… Numa situação similar, o agonizante passa a sofrer com a angústia dos circunstantes que emitem fios magnéticos em sua direção, retendo-o no corpo debilitado por horas ou mesmo alguns dias, prolongando um sofrimento que inevitavelmente terminará com a morte.
A Doutrina Espírita promove o esclarecimento sobre viver e morrer, nascer e desencarnar. Foram Espíritos bem-aventurados, emissários do Cristo, que nos fizeram as revelações, para que, compreendendo melhor esse processo natural, o ser humano deixe de se aterrorizar e alivie o psiquismo diante da inflexível verdade: após um período de crescimento físico e aprimoramento do espírito, as forças declinam e ele voltará ao ponto de origem – o mundo espiritual. Nesse plano ele poderá ser recebido por parentes, amigos, benfeitores; na pior das hipóteses encontrarão com inimigos ferrenhos, cobradores de dívidas. “A cada um segundo suas obras”.
O Espiritismo veio para matar a morte...

Luiz Sergio Livro: Plenitude da Esperança

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O Homem de Bem

            O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, de amor e caridade, na sua maior pureza. Se interroga a sua consciência sobre os próprios atos, pergunta se não violou essa lei, se não cometeu o mal, se fez todo o bem que podia, se não deixou escapar voluntariamente uma ocasião de ser útil, se ninguém tem do que se queixar dele, enfim, se fez aos outros aquilo que queria que os outros fizessem por ele.
            Tem fé em Deus, na sua bondade, na sua justiça e na sua sabedoria; sabe que nada acontece sem a sua permissão, e submete-se em todas as coisas à sua vontade.
            Tem fé no futuro, e por isso coloca os bens espirituais acima dos bens temporais.
            Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções, são provas ou expiações, e as aceita sem murmurar.
            O homem possuído pelo sentimento de caridade e de amor ao próximo faz o bem pelo bem, sem esperar recompensa, paga o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte e sacrifica sempre o seu interesse à justiça.
            Encontra usa satisfação nos benefícios que distribui, nos serviços que presta, nas venturas que promove, nas lágrimas que faz secar, nas consolações que leva aos aflitos. Seu primeiro impulso é o de pensar nos outros., antes que em si mesmo, de tratar dos interesses dos outros, antes que dos seus. O egoísta, ao contrário, calcula os proveitos e as perdas de cada ação generosa.
            É bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças nem de crenças, porque vê todos os homens como irmãos.
            Respeita nos outros todas as convicções sinceras, e não lança o anátema aos que não pensam como ele.
            Em todas as circunstâncias, a caridade é o seu guia. Considera que aquele que prejudica os outros com palavras maldosas, que fere a suscetibilidade alheia com o seu orgulho e o seu desdém, que não recua à idéia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever do amor ao próximo e não merece a clemência do Senhor.
            Não tem ódio nem rancor, nem desejos de vingança. O exemplo de Jesus perdoa e esquece as ofensas, e não se lembra senão dos benefícios. Porque sabe que será perdoado, conforme houver perdoado.
            É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que ele mesmo tem necessidade de indulgência, e se lembra destas palavras do Cristo: “Aquele que está sem pecado atire a primeira pedra”.
            Não se compraz em procurar os defeitos dos outros, nem a pô-los em evidência. Se a necessidade o obriga a isso, procura sempre o bem que pode atenuar o mal.
            Estuda as suas próprias imperfeições, e trabalha sem cessar em combatê-las. Todos os seus esforços tendem a permitir-lhe dizer, amanhã, que traz em si alguma coisa melhor do que na véspera.
            Não tenta fazer valer o seu espírito, nem os seus talentos, às expensas dos outros. Pelo contrário, aproveita todas as ocasiões para fazer ressaltar a vantagens dos outros.
            Não se envaidece em nada com a sua sorte, nem com os seus predicados pessoais, porque sabe que tudo quanto lhe foi dado pode ser retirado.
            Usa mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe tratar-se de um depósito, do qual deverá prestar contas, e que o emprego mais prejudicial para si mesmo, que poderá lhes dar, é pô-los ao serviço da satisfação de suas paixões.
            Se nas relações sociais, alguns homens se encontram na sua dependência, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus. Usa sua autoridade para erguer-lhes a moral, e não para os esmagar com o seu orgulho, e evita tudo quanto poderia tornar mais penosa a sua posição subalterna.
            O subordinado, por sua vez, compreende os deveres da sua posição, e tem o escrúpulo de procurar cumpri-los conscientemente. (Ver cap.XVII, nº 9)
            O homem de bem, enfim, respeita nos seus semelhantes todos os direitos que lhes são assegurados pelas leis da natureza, como desejaria que os seus fossem respeitados.

            Esta não é a relação completa das qualidades que distinguem o homem de bem, mas quem quer que se esforce para possuí-las, estará no caminho que conduz às demais.


O Evangelho Segundo o Espiritismo

Por ALLAN KARDEC – tradução de José Herculano


quinta-feira, 29 de setembro de 2011

MEDICINA E FILOSOFIA

Atrás explicamos que a culpa e o erro fundamen­tal dos nossos tempos repousam no orgulho e na rebelião a ordem divina das coisas, de que derivam muitos males e muitas dores. Aqui não falaremos desse erro moral, especialmente em relação ao trabalho e aos bens úteis da vida, mas o faremos com relação a nossa saúde física. Procuraremos precisar os efeitos da moderna psicologia de independência, quando ela penetra também esse nobre ramo da ciência, que é a medicina.
Repassemos agora as ruinosas o que uma orientação excessivamente materialista e hedonista conduziu a ciência, e encaremos a urgente necessidade de conferir a esta uma superior fi­nalidade ética. O homem que preferiu o seu eu a Deus e acredita tornar-se senhor e centro do seu mun­do, por mais que queira manter-se objetivamente apegado apenas aos fatos e, ausente e neutro em face de qualquer meta ideal, só por esta sua atitude, fixou uma afirmação axiomática e dogmática que colorirá toda a sua concepção, ainda que tal premissa esteja oculta no subconsciente. Disto não pode nascer senão uma medicina que tende a substituir-se a natureza e que prescinde do poder curativo desta, a ponto de acre­ditar poder e dever corrigi-la e suplantá-la. Assim, hoje, enquanto a medicina se guarda bem de pos­suir uma filosofia, efetivamente tem uma, da qual depende a sua orientação. Também aqui não se pode prescindir do fator moral que, sendo superior a todas as leis humanas, as penetra a todas de modo a se encontrar em todas, ainda que seja negado. Igualmente aqui se verifica a habitual cadeia — ignorância, erro, mal, dor, e também aqui os mesmos resultados como nos outros casos.
Encaremos o problema mais de perto. Nenhum campo como no da medicina, que intervém em nosso mundo orgânico, é tão pejado de conseqüências no­civas como esse moderno espírito rebelde às leis da vida, o qual pretende erigir-se em plena autonomia, para adaptá-la aos próprios fins hedonísticos. A saúde é fenômeno de longas e longínquas repercussões, é um equilíbrio profundo das energias da vida que o homem moderno perturba com extrema facilidade, le­vando uma vida contra a natureza, e que ele preten­de depois restabelecer com a varinha mágica do me­dico e da medicina, com o milagre da descoberta científica. E acredita facilmente nisto que agrada e é cômodo, tanto mais que isto se presta à exploração industrial e individual, havendo quem tenha interes­se em criar e manter tais credulidades. No entanto a vida é feita de maneira diversa, e nem a podemos alterar a nosso talante. E se tentarmos na tal empre­sa, as forças da vida reagirão, punindo-nos pelo erro. É certo que a imbecilidade das massas parece ilimitada e biologicamente é inevitável que os fracos se­jam explorados. Como isto é rendoso para os esper­tos, prova-o a concorrência que existe hoje na indústria da exploração de tal imbecilidade, em todo o campo possível e imaginário. Mas é verdade tam­bém que, dada a grande compreensão da maioria, nada melhor a pode educar do que ter sido ela es­carmentada com o próprio prejuízo. Em todas as esferas de ação a vida adota esse sistema para induzir-nos a compreender, isto é, a progredir.
O dano em medicina é grave, visto que se trata de uma terapêutica desorientada, que aplicada em larga escala ameaça a constituição orgânica, sobre­tudo das raças civilizadas, que dela fazem mais uso. É verdade que a vida é uma batalha que cada qual deve combater com as próprias armas, com as próprias características e com os meios acumulados no tempo, e isto no campo orgânico como no espiritual. É verdade também que a vida possui poderes corre­tivos e de recuperação, em face dos piores erros e, por conseguinte, pode resistir aos maiores assaltos. Mas nós não estamos em grau de dizer quantas do­res isto custará ao homem moderno.
Hoje domina a terapêutica antimicrobiana, a qual determina uma intervenção contínua e difusa de pro­dutos que, penetrando no organismo, tendem a modificar a própria estrutura das células, determinando um progressivo declínio orgânico e conseqüente decadência constitucional. A caça ao micróbio reduz-se a uma conturbação, pela qual se prejudicam as na­turais forças defensivas e se produz crescente vulne­rabilidade orgânica. Freqüentemente se obterá uma vantagem imediata, mas é necessário ver o que de nos custará pelas suas conseqüências. Não obs­tante a floração de descobertas e de novos remédios a jato contínuo, os organismos resistem cada vez menos: se os auxiliamos de um lado, eles cedem de outro. E natural que eles se enfraqueçam na proporção da defesa que lhes é prestada. A multiplicação dos remédios corresponde assim uma multiplicação de males. Ademais, as enfermidades se tornam amor­fas, atípicas, o que significa que se perturbou a ló­gica estratégia posta em prática pela inteligência da vida. Os organismos não reagem mais ou, se reagem, o fazem desordenadamente, o que significa que a natureza foi induzida à desorganização. O difundido uso dos produtos sintéticas significa o emprego de um mal sucedâneo que, se possui as características químicas, não pode ter de modo nenhum as orgânicas, dado que a vida contém forças sutis, que alcançam mesmo o campo espiritual.
Sem poder entrar aqui em particulares, este é o resultado da terapêutica moderna. Por querer ser imparcial e objetiva, ela carece da orientação geral, que só uma filosofia da vida pode conceder. Por permanecer positiva, lhe escapam muitos fundamentais imponderáveis. Não possuindo o senso da unidade cósmica, lhe fogem também o da unidade orgânica, e assim igualmente o poder de síntese, perdida como está na análise, na especialização clínica, no localis­mo patológico e no fracionamento sintomático. E sem esse poder de síntese não se chega a cumprir o ato individual da intuição que é o diagnóstico e o prog­nóstico. Não se pode compreender um momento par­ticular da vida, se não se está antes orientado no seu discernimento compreendendo primeiramente o funcionamento orgânico do universo. No estudo da vida não se pode prescindir da ordem espiritual em que ela se move, nem é lícito ignorá-la. Uma medicina naturalista é, pela própria natureza, incompleta e incompetente para julgar os fenômenos vitais. Escapa-lhe a essência des­tes. Não obstante ela negá-lo possui, em realidade, uma filosofia mais negadora da substância da vida, como é o seu materialismo. Tal é a nossa medicina analista, organicista e microbiana.
Essa sua psicologia de batalha antimicrobiana lhe vem da psicologia do século, que é de revolta e não de adesão à sabedoria das leis, ou seja, psicolo­gia do homem ainda involuído. A caça ao micróbio, se este é realidade, pode ser empirismo como orien­tação geral. Mas quem nos assegura que o micróbio não seja senão o efeito, ao invés da causa da molés­tia, visto que ele surge quando o terreno orgânico já está preparado pelo morbo e que sobre o mesmo terreno orgânico, ainda quando seja patogênico, não exercite funções particulares? Quem nos diz que o doente não seja um ser que a vida coloca sob cuida­do para curá-lo, mais do que um ser que espera a extrema-unção humana para normalizar-se? Esta con­cepção desloca tudo, fazendo passar para um primei­ro plano a sabedoria da natureza e para um segundo a do médico, visto que hoje as coisas estão invertidas. Mas a medicina consiste em seguir esta sabedoria e não substituir-se a ela para coagi-la.
O primeiro e verdadeiro grande médico é a na­tureza, grande concorrente da medicina oficial, médico que todos tem em si e que vigia e age continua­mente. Ela representa a universal presença de Deus, sempre benéfica e restauradora. O conceito do micróbio patogênico deriva do instinto de luta do ho­mem ainda involuído. É impossível seguir o bacilo e atingi-lo nas profundidades vivas do tecido, porque ele aí não se encontra como uma intromissão estra­nha, mas como em combinações de simbiose, que fa­zem parte dos próprios equilíbrios da vida. Ele mesmo é nossa vida, com funções vitais e não se pode Isolar nas infinitas interdependências orgânicas. A natureza o utiliza na sua estratégia defensiva. Os mi­cróbios não são os antagonistas da vida, mas os seus colaboradores. Mesmo quando agem contra ela, exci­tam-lhe as reações vitais.
Quando a vida adverte o assalto, adota muitos meios entre os quais ressalta a elevação da temperatura que se chama febre. Esta representa um mais alto potencial elétrico celular, especialmente do san­gue, uma posição mais enérgica para a batalha. Os medicamentos destinados a suprimir a mobilização desse dinamismo expresso pelo processo febril, vão demolir as naturais defesas orgânicas e paralisam a luta engajada pela natureza. A vida é um inteligente princípio espiritual que quer a conservação do indivíduo, porque viver tem um escopo e ela quer atin­gi-lo. As moléstias representam uma verdadeira estratégia com movimentos calculados em intensidade e duração conduzidos com ritmo próprio, que exprime pela sintomatologia. Elas representam, em suma, uma inteligente operação de guerra. Se tais planos forem transtornados, paralisando artificialmen­te a reação febril, toda a defesa se desorganizará. Então a natureza ou resiste à cura e trava a sua ba­talha da mesma forma ou se transfere para outra ocasião. Entrementes nós poderemos ter tornado tão difícil o seu trabalho, que poderá suceder que a batalha seja perdida e o organismo sucumba. Alte­ra-se assim, completamente, o conceito de saúde. Esta não é dada tanto pelas boas condições do ambi­ente, quanto pela capacidade de resistência do in­divíduo. Pelo contrário, a vida, se muito protegida, se enfraquece.
É necessário que nos exponhamos que lutemos, para que devamos aprender a vencer. A célula só se torna passível de agressão da parte dos germes pa­togênicos quando o seu índice bio-físico-químico sofreu alteração. O estado de saúde não deve, por con­seguinte, ser esperado de um ambiente artificialmen­te corrigido, mas, sobretudo de nós mesmos e isto é o resultado de uma longa história individual e cole­tiva, história em que a vida tudo registra de bem e de mal com suma justiça e vontade de fazer o bem.
As nossas atuais concepções dependem de uma falsa orientação filosófica. Não está errada a ciência que observa objetivamente, mas está errada a psico­logia com que se aplicam os seus resultados. Em nosso caso, se é perigoso ser demasiado filósofo e pou­co médico, como sucedeu nos séculos passados, é perigoso também, como possivelmente por reação sucede hoje, ser demasiado médico e pouco filósofo. Um pouco de filosofia é necessário também para supe­rar o perigo de dispersão representado pelo fragmen­tarismo analítico, ou perigo de perda do sentido uni­tário em um labirinto de fenômenos desconexos. Pa­ra resistir ao fracionamento da ciência na especiali­zação, ocorre à síntese, unificação, orientação filosó­fica. A orientação materialista conferiu â nossa me­dicina um aspecto mecânico, frio, abstrato, em que a alma do paciente sente-se afogada
Também a medicina, da mesma forma como o dissemos, com respeito ao trabalho e assim como deve suceder com todas as manifestações da vida, deve consistir, para ser genética e criadora, em um ato de ­amor. O século futuro deverá aguardar na ciência a conquista dessa nova qualidade, que pertence ao espírito e que falta inteiramente em nosso tempo.



ASCENSÕES HUMANAS

Autor: Pietro Ubaldi

Tradutores: Erlindo Salzano,
Adauto Fernandes Andrade,
Medeiros Corrêa Júnior

ÍNDICE


I             O Princípio de Unidade
  II            A Era da Unidade                                                                                 
  III          Capitalismo e Comunismo                                                                    
  IV           A Unidade Política                                                                                
  V            A Unidade Religiosa                                                                              
  VI           Os Caminhos da Salvação                                                                    
  VII         Fazer a Vontade de Deus                                                                       
  VIII        Como Orar                                                                                             
  IX          A Comunhão Espiritual                                                                        
  X            Paixão                                                                                                    
  XI           Ressurreição                                                                                           
  XII         Cristo Avança                                                                                         
  XIII       Uma Estátua se Move                                                                             
  XIV       Sinais dos Tempos                                                                                   
  XV        O Atual Momento Histórico                                                                    
  XVI       Uma Parábola                                                                                         
  XVII      A Desorientação de Hoje                                                                        
  XVIII     O Erro de Satanás e as Causas da Dor                                                  
  XIX       O Erro Moral                                                                                          
  XX         Medicina e Filosofia                                                                             
  XXI       A Ciência da Orientação                                                                        
  XXII      O Conceito de Poder em Biologia Social                                             
 XXIII      Crise de Civilização                                                                              
 XXIV      Como Funciona o Imponderável                                                         
 XXV       Amor e Procriação                                                                                   
 XXVI      Sexualidade e Misticismo                                                                      
XXVII      Porque Amor é Alegria                                                                          
XXVIII     O Problema da Castidade                                                                     
                    


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Regressão de memória

“Regressão de memória é o processo provocado ou espontâneo, por meio do qual, o espírito encarnado ou desencarnado fica em condições de relembrar o passado, da vida atual ou em existências anteriores, sejam elas recentes ou remotas”.
A definição acima é bem ampla, e está assentada nos preceitos básicos da doutrina espírita, sem, no entanto ser uma criação desta, e nem oriundas de uma revelação transcendental revestidas de caráter místico ou dogmático. Antes é um fenômeno natural que pode ser pesquisado utilizando métodos e técnicas apropriadas, e que apesar dos recentes estudos e pesquisas, sabemos de sua utilização já em culturas antigas como no Egito e na Grécia.
A aplicação prática mais usual para esse tipo de pesquisa, seria uma inclusão no modelo clínico atual no tratamento para as doenças da alma, traumas psicológicos e até somáticos, em muitos casos mostra-se uma técnica que facilita a solução de muitos problemas.
Além disso, vislumbro a perspectiva de podermos utilizar a regressão de memória como instrumento de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal, e/ou como instrumento para terapeutas possibilitando um melhor conhecimento do paciente de psicanálise, sobre essa questão sugiro a leitura do livro Investigando Vidas Passadas, de Raymond Moody Jr.
Poderíamos também conjecturar, em que seria possível uma espécie de arqueologia espiritual, onde poderíamos explorar determinados pontos obscuros da história, em beneficio geral da humanidade. Como exemplo cito o livro de HCM - Hermínio C. Miranda, “Eu sou Camille Desmoulins”, onde ele mostra um magnífico caso de regressão, identificando um dos líderes da revolução francesa, o qual teremos um capítulo com a sua síntese. Da minha parte posso acrescentar um outro caso que ainda estou pesquisando (até essa data), onde foi identificadas a Rainha Nefertiti, Faraó do Egito na XVIII dinastia, co-regente com o Faraó Akenaton.
Há de se ressaltar que essa obra foi compilada, quase que totalmente transcrita dos livros de Hermínio C. Miranda, e principalmente do livro “A Memória e o Tempo”. O autor, apesar da sua modéstia, em minha opinião, é um dos maiores pensadores encarnados em se tratando desse assunto,. Uma outra parte foi tirada de diversos autores, bem como do aprendizado próprio através de algumas experimentações práticas de nossa parte. Recomendo ao leitor que caso se interesse por esses estudos não deixe de ler esse e outros livros do autor que constam na bibliografia.
Tirado do Portal do Espírito:Mauricio Mendonça Jr.